O dólar subiu pela quarta semana seguida e voltou à casa de R$ 1,90, mas pegou poucas empresas despreparadas, diferentemente do que ocorreu no final de 2008, segundo avaliação do Banco Central. Por conta disso, a autoridade monetária tem se mantido alheia à alta do dólar e decidiu não intervir para elevar a cotação do real. Ontem, a moeda encerrou a R$ 1,891, com alta de 0,37% no dia.
Mesmo com a tensão nos mercados, o BC ainda não apareceu vendendo dólares, como fizera no final de 2008. Durante toda a semana, o BC comprou dólares na faixa de R$ 1,84 e R$ 1,88, colaborando para ratificar o novo valor da moeda.
O argumento é que não haveria hoje a mesma crise de liquidez e asfixia de crédito vista na turbulência de 2008. Nem casos relevantes de empresas com aposta errada no câmbio capaz de levá-las muito perto da insolvência, como ocorreu com Sadia e Aracruz Celulose.
O BC calcula em apenas US$ 35 milhões a exposição de empresas a esses derivativos "tóxicos", valor que seria irrisório não só ante os R$ 30 bilhões em contratos registrados de derivativos, mas, principalmente, diante dos US$ 20 bilhões que os exportadores brasileiros mantêm no exterior. Para o BC, as empresas brasileiras têm dólares de sobra, não em falta.
Folha de S. Paulo