Um simples sapateiro. É assim que o italiano Amedeo Francesco Rivellini gosta de ser chamado. Pela primeira vez no Brasil, o artesão foi estrela do projeto Memórias do Fazer, uma das atrações mais concorridas do Inspira Mais - Salão de Design e Inovação das Empresas de Componentes, evento realizado pela Assintecal no centro de convenções do Shopping Frei Caneca, em São Paulo/SP. A iniciativa - que tem curadoria do estilista brasileiro Maurício Medeiros - busca revelar técnicas do "hand made" do país com maior tradição calçadista no mundo.
"A intenção é resgatar a memória com quem melhor sabe fazer: os italianos. Sabemos que estes grandes profissionais estão se aposentando gradativamente e não temos na nova geração quem substitua tal preciosismo”, destaca Medeiros. Com duas apresentações diárias, a iniciativa, em sua primeira edição, mostra a montagem manual de um sapato fechado feminino e foca na lisura perfeita da montagem dos forros. "É importante destacamos esta parte do processo, pois no Brasil ainda temos problemas nesta área", enfatiza o estilista.
Pela primeira vez no Brasil , Rivellini conta que, para ser um bom "sapateiro", a paixão é o principal. "Não acredito que este ofício se aprenda na escola. É uma técnica do dia-a-dia. Para chegar a um bela obra, é preciso, primeiro, fazer uma pequena casa para, depois, construir o mais belo castelo", define. Aos 64 anos - sendo 47deles dedicados ao ofício - o artesão é figura conhecida na cidade de Vigevano, onde, já aposentado, se dedica a apresentações sobre o processo de construção de calçados no museu local.
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