Quando decidiu abrir uma pequena fábrica de sapatos femininos na cidade gaúcha de Novo Hamburgo, em 1991, o empresário Cesar Minetto tinha o sonho de um dia vender seus produtos no Exterior. "Esse desejo se tornou minha meta pessoal e eu sabia que ia chegar lá", disse o empresário, 42 anos, com exclusividade à DINHEIRO, em sua primeira entrevista à imprensa. Discreto e avesso a qualquer tipo de exposição (ele não se deixa fotografar), Minetto pode hoje olhar para trás com um certo ar de satisfação comum àqueles empreendedores que conseguem o que querem. Além das 115 lojas espalhadas pelo Brasil, a marca atualmente possui 112 endereços estrangeiros. A localização não é restrita apenas a badalados berços da moda, como Itália e França, mas também a lugares comercialmente exóticos. Entre eles, Cuba, Jordânia, África do Sul, Ilha de Guadalupe, Filipinas, Israel e Emirados Árabes. Dos oito milhões de sapatos produzidos por ano, metade é exportada. Qual o segredo para desvendar os desejos de consumo de mulheres do mundo inteiro? "A atual moda brasileira é internacional e aproveitamos isso para criar uma marca global", diz Minetto. "O mesmo produto que vendemos em Rondônia, podemos levar para Dubai."
A estratégia trouxe à empresa um faturamento de US$ 150 milhões em 2009, número 15% maior em relação ao ano anterior. E o mercado não tem crescido mais de 5% ao ano. Para 2010, os planos incluem a abertura de 80 lojas e a aquisição de uma marca de sapatos de luxo. O negócio será feito em parceria com um fundo de investimento - assunto que Minetto evita comentar. "Devemos anunciar essa aquisição ainda no primeiro trimestre", antecipa. "Precisamos atender todos os tipos de consumidoras e vamos chegar à classe A com essa nova operação."
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